Baseada em fórmulas e repleta de clichês hollywoodianos (especialmente aqueles advindos de filmes sobre espionagem), a obra é o primeiro grande tropeço da antes sobre-humana empresa. A queda parece visível demais quando até um personagem tão carismático quanto o guincho Mate (“como tomate mas sem o to”) surge deslocado. Aliás, a beleza desse personagem era realçada justamente por ser, no filme anterior, um coadjuvante. Enquanto funcionava como alívio cômico, a trama se desenvolvia com beleza, alguma profundidade e, certamente, boas risadas. Mas, elevado ao posto de protagonista, o favorecimento de um arco dramático mais contundente se desfaz, as piadas se tornam forçadas e surgem os estereótipos e os diálogos artificiais apoiados em uma trilha sonora abatida (estranhos para uma produção Pixar).
Surpreendente na utilização da violência e com um sadismo definitivamente inesperado para uma produção de apelo infantil (talvez, com o intuito de impressionar os adultos que nunca precisaram disso para se encantar com obras como a trilogia Toy Story ou Ratatouille – essa última com repetidas referências na película em questão, o que é incomum quando se trata de piadas internas da empresa), o filme pode ser visto como um amontoado de ótimas ideias mal aproveitadas. É, sim, um universo curioso e, sem dúvida, disposto a ser desenvolvido.
Assim mesmo, Carros 2 é um grande espetáculo estético e o design dos novos personagens (inclusive os figurantes) é inspirado... especialmente dos carros japoneses, que remetem diretamente a animés.
O caráter oportunista fica claro após a saída do cinema, quando, sem querer, é possível relacionar, diretamente, as quase infinitas aparições de produtos (de brinquedos a roupas) relacionados aos 106 minutos da projeção. É, então, que se pode ter certeza da dúvida sanada por Carros 2: as mentes por trás da Disney & Pixar não são infalíveis. Pior... são humanas.
Ou havia algo na água do pessoal. Eis que surge um grande mistério.
Aguardemos o próximo trabalho..
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